domingo, 11 de abril de 2010

EM VÃO


As notas de uma velha canção,
um cheiro antigo, indecifrável,
um instante crucial, inexplicável
e eis que se descontrola o coração.

Quanta dor, de repente explodida,
revelada no amargor da língua
e no nó que sufoca a garganta.
É algo que se agiganta
e não dá mais pra esconder.

O passado que se expõe no agora
coloca tudo, tudo pra fora,
na ânsia de se revelar.
E sem poder se conter,
chora o tempo perdido,
o desejo em si reprimido,
do qual nunca pôde falar.

Nessas alturas da vida,
já velha e embrutecida,
vê que foi inútil sonhar.
A vida passou de pressa,
viver...Não interessa.
Pra quê?
Melhor deitar no chão e morrer.

Sueli de Carvalho

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